Uma leitura de inspiração fenomenológica da Participação no ambiente de trabalho

Artigo publicado nos anais do Congresso Latinoamericano de Sociologia do Trabalho, Montevideo, 2007.

Uma leitura de inspiração fenomenológica da Participação no ambiente de trabalho

O termo “participação” tornou-se constante no vocabulário político das últimas décadas. Carecendo de um olhar que acolha as diferentes atribuições de sentido o termo passa a ser apropriado em diferentes níveis nomeando práticas diversas (MELLO e SILVA, 2004). Essa mesma tendência rompeu as barreiras do campo público chegando ao mundo privado. A raiz para os dois campos é a mesma - embora com sedimentações - qual seja o compartilhamento como busca por sentido no “mundo da vida” (Lebenswelt) das pessoas. O trabalho, elevado pela modernidade, como categoria fundamental nas relações sociais tem posição central para essa busca. Nas organizações, a participação corre o risco de ser instrumentalizada num discurso de compartilhamento de poder para a apropriação das estratégias e compatibilização de significados nos níveis organizacionais (MINTZBERG et all, 2000; CARVALHO & RONCHI, 2005; entre outros). Nesses casos dá-se apenas como nome, ou metáfora (MORGAN, 1996), que gera representação simbólica, mas não passa às práticas decisórias nem rompe a hierarquia organizacional. O artigo tem como objetivo geral descrever os princípios gerais da participação recorrendo em especial à sociologia de ALFRED SCHUTZ (1979) em diálogo com autores, aqui citados, que refletem sobre a teoria das organizações. Acolher a dimensão intencional da subjetividade propõe novo caminho ao pensar o tema da participação como elemento fundante da teleologia do trabalho. Como contribuição desse exercício reflexivo se abre a possibilidade do alargamento da compreensão e da resignificação do que é participação tendo para tal exercício reflexivo como lócus o ambiente de trabalho no contemporâneo.

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