Citação: NASCIMENTO, Anderson Rafael . Os Antecedentes das políticas públicas e do Estado de Bem-Estar Social: Elementos para a leitura da gestão governamental contemporânea. In: ALVES, Luiz Roberto. (Org.). Guia de Estudos para o Curso de Gestão Pública. 1 ed. São Bernardo do Campo: Editora Metodista, 2008, v. 1, p. 25-30
Leia também: Políticas Públicas para a Proteção Social: uma análise da tipologia e de teorias explicativas e Crises e perspectivas dos Estados de Bem-Estar Social e da Gestão Governamental Contemporânea
Leia também: Políticas Públicas para a Proteção Social: uma análise da tipologia e de teorias explicativas e Crises e perspectivas dos Estados de Bem-Estar Social e da Gestão Governamental Contemporânea
1) Resumo
As políticas públicas,
para alcançar o estágio em que estamos, são o resultado da evolução da
estrutura social influenciadas principalmente pela sociedade baseada no trabalho.
Com isso, o objetivo deste texto é recuperar períodos históricos para o conhecimento
de elementos constitutivos e condicionantes na formação das políticas públicas,
especialmente nas políticas de proteção social. Para isso, apresenta-se três
períodos históricos; o primeiro que acontece antes da primeira revolução
industrial que ainda baseava a assistência em aspectos das relações de
proximidade e familiares. Em seguida, apresenta-se a o período da primeira
revolução industrial que altera substancialmente as relações sociais e de
trabalho gerando principalmente os primeiros efeitos do que se entende por
pauperização social. E, por fim, o último período pós segunda grande guerra
mundial que gera terreno propício para as conquistas de direitos sociais e
berço para o que se entende como Estado de Bem-Estar Social.
2) Palavras-chave
Políticas públicas; Proteção Social; sociedade
salarial; Estado de Bem-Estar Social; Proletarização;
3) Introdução ao tema e aos objetivos
A questão da igualdade
social é uma fonte de muitos estudos e de diferentes interpretações teóricas.
Esse campo de disputa é central na determinação do que aqui se chama como
proteção social, já que na essência essas ações buscam um mínimo de igualdade
para todos (Marshall, 1967). Entretanto, o questionamento sobre o que é essa
igualdade cabe a delimitações sociológicas e culturais. Contudo, não há como
delimitar e definir o que é esse padrão de igualdade social sem recorrer a
história.
O objetivo deste capítulo
é recuperar períodos históricos para o conhecimento de elementos constitutivos e
condicionantes na formação das políticas públicas, especialmente nas políticas
de proteção social.
Esse exercício
possibilitará ao estudante compreender o processo de formação das políticas
públicas como instrumental para a análise da situação atual, para a projeção
das tendências futura e ‘caminhos para as políticas públicas e gestão
governamental contemporânea. O estudante na leitura desse capítulo/material terá
elementos para a interpretação das funções da gerência pública nos negócios de
um governo frente às demandas sociais e econômicas.
5) Discussão
do tema
Uma breve leitura de momentos históricos que influenciaram as políticas
públicas atuais
As primeiras ações em prol
de uma proteção para os sujeitos desprovidos e débeis de alguns direitos
básicos foram tomadas por grupos que detinham certo poder econômico (igreja,
monarquia, burguesia). Essas primeiras contingências estão relacionadas aos
aspectos naturais (alimentação e moradia) e políticos.
A Igreja detinha grande
parte das riquezas e determinava padrões para o funcionamento das antigas
sociedades[1].
Essa instituição, nesses primeiros ensaios, aparece como uma protagonista das
ações e práticas de gestão e auxílio contra a pobreza pautado em valores
cristãos como a caridade. Se a pessoa apresentasse sinais no seu corpo de
impotência e sofrimento sua assistência era ainda mais legítima. Além disso,
conforme cita Castel (1998, p. 65), “estabelece-se um comércio entre o rico e o
pobre, com vantagens para as duas partes: o primeiro ganha sua salvação graças
à sua ação caridosa, mas o segundo é igualmente salvo desde que aceite sua
condição”.
Nesses primeiros exemplos
de ações sociais a favor de grupos desprovidos, dois elementos eram princípios
para a constituição de uma assistência social. Elementos esses que são vetores
fundamentais para as políticas de proteção social até os dias atuais. Segundo
Castel (1998, p. 85) isso ocorre “de um lado, pela relação de proximidade entre
os que assistem e os que são assistidos; de outro, a incapacidade de
trabalhar”.
Outra conseqüência desse
período do século XVIII foi o fim das relações sociais das zonas rurais vindo
com o modo de vida urbana e as relações nos burgos gênese das cidades. Isso é
sentido pela visão de que as pessoas não tinham outro recurso para sobreviver e
necessitavam vender a força de seus braços rompendo com laços de solidariedade
campesinas. Uma constatação dessa conseqüência reside no fato de que essa força
de trabalho só pode ser vendida por seu proprietário, o próprio trabalhador, e
o salário é o preço pago por ela. Contudo, esse salário precisa ser mais
atrativo do que uma situação de não trabalho e conseqüente de um não
recebimento que pode se estabelecer pela mendicância ou mesmo pelo roubo.
Conforme cita Castel (1998, p. 148) “partir das situações em que a condição de
assalariado ocupa uma posição inferior dentre as demais é apontar que ele deve
percorrer longo caminho para superar essas fantásticas desvantagens”.
Desvantagens que se iniciam na rotina opressiva das fábricas e na exploração do
trabalho pelo empresário. Assim, o salário como resultado do trabalho,
necessita ser a base do convencimento para a opção de estar na condição de
trabalhador. É o princípio do que se denomina como sociedade salarial.
Abaixo listam-se alguns
elementos que auxiliam a leitura sobre a formação das políticas públicas. Esses
elementos resumem o que foi aposentado neste primeiro período e será
delimitador das ações governamentais na evolução da sociedade e do capitalismo.
Quadro 1- Elementos influenciadores para as
políticas públicas*
- Assistência ao indivíduo ou à família desprovida
(necessidade)
|
- Proximidade do beneficiário e da
instituição/grupo assistente (local)
|
- Incapacidade de trabalhar (sofrimento humano)
|
- Vida urbana (perda das relações campesinas)
|
- Estrutura de produção (sociedade salarial)
|
* Elaboração própria
A primeira revolução
industrial, datada entre o final do século XVIII e início do XIX, iniciou um
movimento de muitas transformações no contexto do trabalho e de sua função na
sociedade. Anteriormente a produção era baseada no modo artesanal que era
representado pela caráter familiar. Nesse formato o o trabalhador detinha em
seu poder os meios para a execução de todas as etapas de produção. Em seguida,
devido a ampliação do mercado de consumo causado pela vida urbana, surge a
necessidade de aumentar a produtividade pela divisão social do trabalho. Por
conta dessa divisão muda-se “o lugar ocupado pelos grupos menos favorecidos”
(CASTEL, 1998, p. 213) chegando aos primeiros estágios de uma pauperização
social.
Quando na história mundial
começa a existir um movimento de proletarização[2]
e a emergência de relações capitalistas de produção (turnos de trabalho,
criação das oficinas, exploração do trabalho infantil) potencializa o fenômeno
de pauperização da massa de trabalhadores. Conforme Castel (1998, p. 113) “o
pauperismo deve suas origens às mutações das estruturas agrárias, mas é na
cidade que se manifesta em toda sua amplitude”. Por exemplo, Castel (1998), ao
abordar a questão da indigência na Paris dessa época, aponta que para cada nove
pessoas naquela cidade uma estava em estado de necessidade e indigência.
Por outro lado, os
trabalhadores começaram a se mobilizar em prol da ajuda mútua com a finalidade
de se proteger e reivindicar ações contra o desemprego, a morte e a velhice[3].
Na interpretação de Castel (1998) isso decorre de dois objetivos:
primeiramente, em busca das formas de solidariedade campesinas que foram
perdidas no modelo urbano de vida. Nesse modelo urbano, a compreensão da
diferença, a família e a propriedade não eram elementos da rede de proteção
social como eram na sociedade campesina. O outro objetivo recuperado pelos
trabalhadores é a tentativa de que eles não ficassem à mercê das condições de
trabalho e assalariamento oferecidos pelos empresários. Era uma forma de
resistência à sociedade salarial que estava a cada dia mais fortalecida. Nessa
época, a gênese das ações em prol de um bem-estar ou proteção social se
confunde com a formação da sociedade salarial.
Um segundo momento da
história do capitalismo pode ser demarcado entre o início do século XIX e
início do século XX. Inovações tecnológicas aparecem como, por exemplo, as
transformações do conhecimento, a energia (eletricidade e petróleo), o motor, a
máquina e a indústria em
série. Nessa época, surge a grande empresa capitalista, em
substituição ao trabalho em família, pois as oficinas que tinham cerca de 10 a 15 trabalhadores no
período anterior, ampliam sua capacidade produtiva para 50 a 100 trabalhadores. Essa
ampliação, por outro lado, possibilitou terreno fértil para um novo tipo de
mobilização dos trabalhadores surgindo uma nova representação e ação por parte
dos trabalhadores. São os denominados “Sindicatos Gerais” (Hobsbawm, 2002).
Esse novo sindicalismo é
formado por instituições que representam os anseios dos trabalhadores e
empregados e não mais os Sindicatos de Ofício que representavam
fundamentalmente os trabalhadores qualificados que tinham ofício e alguma forma
de representação.
Apesar dessas mudanças
tecnológicas e de produção, esse período foi marcado por movimentos de recessão
que deram força propulsora para a primeira guerra mundial (1914)[4].
Esse segundo momento foi
finalizado por situações de crise mais graves, como por exemplo, o período entre
as duas grandes guerras mundiais[5]
e a quebra de bolsa de Nova York de 1929[6] que propiciaram, dentre
outros aspectos, terreno para a expansão dos modelos estatais de proteção
social ou de bem-estar social, rompendo com a lógica corporativista da organização
dos trabalhadores e caridosa da igreja. Segundo Hobsbawn (2002, p. 91), nesse
momento, “a economia capitalista pareceu desmoronar” já que uma marca
fundamental desse período é a situação de recessão e o esforço de reconstrução
dos países atingidos pela primeira guerra mundial. Esse período de crise
alimentou sentimentos de nacionalismo e os estados totalitários[7]. Há muitos livros que tratam desse período
entre guerras e as causas da segunda grande guerra mundial. Contudo, conforme
Hobsbawm (2002) duas palavras podem responder ao que causou ou quem causou a
segunda guerra mundial: Adolf Hitler.
Um outro fato histórico
importante para a compreensão desse período foi a revolução russa de 1917. Essa
revolução produziu um contraponto ao regime capitalista e isso demarca as
disputas políticas que percorreram grande parte do século XX. De certa forma,
esse contraponto socialista favorecia no discurso e na prática contestatória a
legitimação de algumas propostas de políticas públicas que ganhavam força graças
a ampla participação dos trabalhadores e o medo do comunismo. Przeworski (1989) demonstra a evolução dos partidos
socialistas em termos de quantidade de
voto a partir do exemplo histórico do partido alemão, finlandês, austríaco,
belga, holandês, sueco e norueguês. A conclusão do Przeworski (1989, p.
33) é clara:
A prática estava
confirmando a teoria. De eleição em eleição, as forças socialistas adquiriam
maior peso. Cada etapa trazia um novo sucesso. De alguns milhares que eram nos
primeiros e difíceis momentos, os socialistas viram seu eleitorado aumentar
para milhões
A decisão entre a ação
“direta”, por vias revolucionárias, e a ação “política”, pela ação eleitoral
dos partidos socialistas, incentivou um vasto debate sobre a participação dos
comunistas no sistema eleitoral e burocrático. A escolha foi feita pela via
eleitoral aumentando significativa o número de votos dos partidos comunistas e
ligados às causas operárias. Com essa ampliação Przeworski (1989) conclui que a
social-democracia acontece graças a essa participação e trata-se de algo
conquistado na luta de trabalhadores organizados contra o sistema capitalista e
sua sociedade salarial. Esses movimentos ganham força graças as contradições do
sistema capitalista que sentem seu efeito maior durante as crises econômicas. Em
1929, o mundo conheceu a maior de todas.
Após a primeira guerra
mundial o cenário na Europa era de um crescente desequilíbrio entre a produção
e o consumo tendo a inflação como conseqüência mais grave. Essa situação
pós-guerra e suas conseqüências geraram para a Europa uma grande demanda social
com efeitos na classe média e aumento da pressão operária pelos sindicatos que
estavam associados aos partidos socialistas. Pairava no território europeu uma
crescente ameaça de revolução socialista o que possibilitou conquistas sociais
por parte do proletariado.
O auge da crise econômica
depois da primeira guerra aconteceu na quebra da bolsa de Nova York em 1929
fato que iniciou um abismo econômico no mundo. Por que essa estagnação? Hobsbawm
(2002, p. 93), oferece uma explicação,
como, por exemplo, que a
maior das economias do mundo, a dos EUA, passara a ser praticamente
auto-suficiente, exceto pelo suprimento de umas poucas matérias-primas; jamais
dependera particularmente do comércio externo. Contudo, mesmo países que tinham
sido comerciantes de peso, como a Grã-bretanha e os Estados escandinavos,
mostravam a mesma tendência... Cada Estado agora fazia o mais possível para
proteger suas economias de ameaças externas, ou seja, de uma economia mundial
que estava visivelmente em apuros.
Primeiramente, essa
proteção econômica dos mercados resultou em um impressionante e crescente
desequilíbrio devido à desigualdade entre os EUA e o resto do mundo. Isso
decorre do fato de os EUA terem, principalmente, se envolvido na primeira
guerra mundial como financiador. Uma segunda perspectiva se fixa na não-geração
de demanda dos produtos americanos para a expansão da produção de massa que era
encontrada naquele país. Portanto, tratou-se de uma crise de superprodução e
especulação. Esse rápido crescimento foi influenciado pelo modo de produção
fordista[8].
Enquanto o mundo passava
por essa estagnação a União Soviética crescia e se industrializava com seus
planos qüinqüenais[9]. Esse
crescimento tencionava o espaço de disputa entre o modelo capitalista e
socialista de sociedade, criando zonas de poder: período conhecido como Guerra
Fria. Essas zonas ficaram mais evidentes pelos pactos realizados na década de
40 e 50, entre o denominado Bloco Ocidental, sendo dirigido pelos EUA, por meio
da OTAN[10]
e o Bloco Oriental, liderado pela União Soviética, por meio do Pacto de
Varsóvia[11].
A conseqüência desse
período da crise de 1929 foi a instituição do plano de Pleno Emprego[12], ou o
denominado New Deal, e a instalação dos modernos sistemas
previdenciários (HOBSBAWN, 2002). O New Deal tinha como política
fundamental incentivar por meio de ações estatais a demanda para os produtos
gerados pelas empresas capitalistas e pelo modo de produção fordista. Essa
política foi baseada nos ensinamentos do economista Keynes que acreditava na
intervenção do Estado para gerar demandas. O que se viu em solos americanos foi
uma grande frente de trabalho com o Estado contratando trabalhadores para obras
de infra-estrutura.
Por sua vez, como já dissemos,
essa grande depressão da economia mundial propiciou terreno para os movimentos
de totalitarismo. Hobsbawm (2002, p. 132) pergunta “teria o fascismo se tornado
mais significativo na história mundial do mundo não fosse a grande depressão? É
provável que não”. Na Alemanha, por exemplo, o remédio contra a crise seguiu um
caminho diferente dos EUA, tendo aquele país cortado gastos governamentais
incluindo o setor social. A conseqüência foi constatada no auge da crise, em
1933, com a vitória de Adolf Hitler e o início de uma retomada de crescimento,
denominado III Reich, pautada pela super valorização dos produtos nacionais e
da indústria bélica. A Itália, outro país totalitário, sozinha não era uma base
promissora para abalar o mundo. Certo é que a grande depressão possibilitou um
espaço para articulações políticas na Europa tendo os regimes totalitários
assumindo posição de liderança. A grande depressão, ou a crise de 1929, foi o
berço para a segunda grande guerra mundial.
Esses fatos (quebra da
bolsa de Nova York e sistemas previdenciários) possibilitam que o trabalho seja
elevado como função central na sociedade. Além disso, o mundo passa por
profundas transformações tendo como pano de fundo a modernidade liberal e a
urbanização.
Com o fim da segunda guerra
mundial inicia-se o que Hobsbawm (2002) chama de a “Idade de Ouro” (1945 –
1970), baseada no Plano de reconstrução da Europa e no modelo Keynesiano. Essa
idade foi estruturada com algumas ações associadas aos Plano de Ajuda Econômica
(Plano Marshall e o UNRRA[13])
tendo como conseqüência a estruturação da hegemonia dos EUA garantida pelos
ideologia dos livres mercados e da subordinação da Europa. Já o modelo
Keynesiano se baseia na intervenção do Estado, por meio das nacionalizações, e
nas reformas sociais. Esse modelo dá início ao crescimento das economias
mundiais sendo mais sensíveis pela reestruturação do Japão e Alemanha (Milagre
japonês e alemão), Itália, França e Grã-Bretanha.
Esse período estabelece
uma estabilidade no nível mundial e encaminha a estruturação dos primeiros de
Estado de Bem-estar Social. Esse modelo de Estado se garante por padrões
mínimos de qualidade de vida e prestação de serviços sociais que é sustentado
por meio de impostos.
6) Algumas conclusões
Do período descrito (final
do século XVIII até 1973), que está aqui tratado como a gênese ou os
antecedentes das políticas públicas e gestão governamental contemporânea,
ocorre uma mudança sensível. Questões econômicas e sociais passaram a
determinar o caminho das políticas públicas e da gestão governamental com o
desenvolvimento das sociedades modernas e as sucessivas crises mundiais.
Logicamente que aqui estão retratados situações centrais em um exercício de
sistematização para a condução do processo de aprendizagem proposto.
O caminho proposto passa
por alguns questionamentos que se abrem para a reflexão e interpretação das
políticas públicas e das ações governamentais e que não podem ser aqui
respondidas. Há que se questionar, primeiramente, se as políticas públicas são
legitimadoras de um sistema de dominação de uma classe dominante sobre outra
dominada. E, por fim, está posto o dilema segundo o qual as políticas públicas
são elementos que ajudam ou atrapalham a livre atuação do mercado. Essas
questões não serão respondidas objetivamente, mas no decorrer dos estudos será
possível iluminar elementos para a compreensão desses aspectos de acordo a
interpretação de cada estudante.
A visão dos aspectos que
geram a dependência das políticas de proteção social ou os padrões mínimos de
qualidade de vida são aspectos socialmente construídos e, por sua vez,
adaptados de acordo as realidades e dinâmicas relacionadas à cultura, política
e economia. Como contexto para esta definição está a decisão sobre para quem
oferecer e quais os limites para a denominada proteção social. Isso acontece
por uma vontade de controle social destinado a neutralizar possíveis situações
de conflitos e/ou também por justificativas éticas fundada em valores civis e
religiosos.
Conforme apresenta Viana e
Levcovitz (2005, p. 15) “o objeto da proteção social refere-se às formas de
dependência, intrínsecas à condição humana”. Essa condição humana está
relacionada ao ciclo de vida – infância, maternidade, velhice - e aos fatores
ambientais – doença, fome, clima. Nesse sentido, devido aos movimentos de crise
e aos espaços de participação política e cidadania, as políticas públicas de
proteção social se ampliam para além da proteção contra aspectos naturais e
políticos de dependência, e passam a incluir fatores econômicos e sociais.
Este capítulo/material teve
por objetivo recuperar elementos que são constitutivos na formação dos sistemas
de políticas públicas, caracterizadas pela proteção social. Sistematizou-se ao
longo deste texto alguns elementos importantes que precisam ficar evidenciados
para uma leitura das políticas públicas e da gestão governamental
contemporânea. Inicialmente, apontou-se a existência do padrão das necessidades
individuais e familiares e esse é um padrão muito adotado para a determinação
das ações governamentais contemporâneas. Um segundo elemento das políticas
governamentais é trazido pela relação de proximidade entre os que assistem e os
que são assistidos. O terceiro elemento está associado à incapacidade de
trabalhar, que tem nos dias atuais um conceito mais alargado devido a
complexificação do mercado de trabalho e das profissões. E, por fim, associado
à questão do trabalho está a visão dos formatos de políticas públicas
associados ao trabalho e, principalmente, ao salário.
7) Obras indicadas sobre o tema
·
Castel,
Robert. As metamorfoses da questão
social: uma crônica do salário. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.
·
HOBSBAWN,
Eric. Era dos Extremos: O Breve Século XX. 1914-1991. 2. Ed. São Paulo:
Companhia das Letras, 2002;
·
MARSHALL,
T. H. Cidadania, Classe Social e Status.
Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1967;
·
PRZEWORSKI,
Adam. A social-democracia como um fenômeno histórico. In: PRZEWORSKI, Adam. Capitalismo e Social-democracia. São
Paulo: Companhia das Letras, 1989;
·
VIANA,
Ana Luiza d’Ávila; ELIAS, Paulo Eduardo M.; IBAÑEZ, Nelson (Org.). Proteção social: Dilemas e desafios.
São Paulo: Hucitec, 2005.
[1] Mais informações sobre o histórico dos sistemas de
proteção social podem ser encontradas em http://www.ans.gov.br/portal/upload/forum_saude/forum_bibliografias/modeloinstitucional/BB3.pdf
[2] A divisão social do trabalho acontece quando um
grupo de produtores detêm em seu poder atividades específicas em conseqüência
do avanço da sociedade e das forças produtivas. Nessa visão, o trabalho é
dividido entre os que detêm os meios de produção (burguesia) e os que vendem
sua força de trabalho (proletariado).
[3] Alguns movimentos são realizados nessa época dentre
eles, os ludistas, os cartistas e os trade-unions.
[4] Esse
momento histórico é muito denso e não será aqui tratado com muitos detalhes por
não ser nosso foco. Para mais informações, pesquisar sobre “Era dos impérios”.
Mais informações sobre a primeira guerra mundial podem ser conhecidas em http://www.culturabrasil.pro.br/primeiraguerramundial.htm
[5] Esse período está compreendido entre a primeira
Guerra Mundial que tem seu início em 1914 e a segunda Guerra mundial em 1939.
[6] Para mais informações consulte http://www.suapesquisa.com/pesquisa/crise_1929.htm
[7] O nazismo na Alemanha de Adolf Hitler e o facismo da
Itália de Benito Mussoline.
[8] Modo de produção está aqui entendido como a maneira
que uma sociedade produz seus bens e serviços, propondo desde o ato da
manufatura até a distribuição. O modo de produção fordista baseia-se em
princípios de produção e consumo em massa. Baseado na visão de Henry Ford, esse modo,
pensava a necessidade da criação de um sistema articulado desde a produção até
o consumo. Na visão de Ford era necessário remunerar o trabalhador em condições
para que ele seja, potencialmente, o primeiro comprador dos produtos com que
ele trabalha.
[9] Hobsbawm (2002, p. 100) demonstra os números da
industrialização soviética: “De 1929
a 1940,
a produção industrial soviética triplicou, no mínimo dos
mínimos. Subiu de 5% dos produtos manufaturados do mundo em 1929 para 18% em
1938, enquanto no mesmo período q fatia conjunta dos EUA, Grã-Bretanha e França
caía de 59% para 52% do total do mundo”.
[10] OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte
estabelecida em 1949 é uma organização de cooperação militar como objetivo de
constituir uma alternativa ao bloco socialista.
[11] Aliança militar formada em 1955 pelos países do
Leste Europeu.
[12] Pleno emprego foi a denominação para a política de
redução do desemprego em massa com apoio teórico do economista John Maynard Keynes
(1883 – 1946). Segundo Hobsbawm (2002, p. 100) “Os keynesianos afirmavam,
corretamente que a demanda a ser gerada pela renda dos trabalhadores com pleno
emprego teria o mais estimulante efeito nas economias em recessão”.
[13] United Nations Relief
and Rehabilitation Administration Nações Unidas para a Assistência e
Reabilitação da Administração (United Nations Relief and Rehabilitation
Administration - UNRRA)
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